Vivemos em uma sociedade
que ainda precisa reconhecer os benefícios universais da bicicleta e
implementar de maneira consistente medidas de valorização do uso da mesma.
O ciclista urbano, aquele
que escolheu a bicicleta por opção, sabe que ela é instrumento fundamental para
a readequação urbana. A
bicicleta já é conhecida pelo seu potencial, mas quem busca promove-la ainda
tem um longo caminho a percorrer na formatação do discurso.
Ciclovias, carrovias, ferrovias, vias de
pedestres, corredores de ônibus, pistas de skate.
Qualquer um desses elementos só faz sentido quando se costura no tecido urbano.
Dentro dessa lógica, uma cidade saudável tem dois elementos principais o espaço de circulação e o de permanência, sendo que esses dois elementos se dividem entre públicos e privados. Ruas e calçadas são espaços públicos de circulação, um estacionamento de um supermercado é um espaço privado de circulação. Uma praça é local de permanência (ou visitação) pública, um centro de compras é um equivalente privado.
Tornar nossa cidade melhor é pensar além dos espaços segregados, é compartilhar harmoniosamente as ruas entre os diferentes modais de locomoção, é criar espaços agradáveis para permanência (praças, jardins, parques... etc.), é pensar nas necessidades humanas acima de todas as outras e não só em poder circular melhor com o carro.
 |
Ruas em Erlangen - Alemanha, rua compartilhada onde o pedestre tem prioridade, as crianças podem brincar. Os carros trafegam lentamente e as bicicletas têm prioridade sobre os carros. |
 |
Espaço de circulação exclusivo para pedestres e bicicletas |
 |
Transporte coletivo de boa qualidade. |
 |
Calçadão no centro, ciclistas só desmontados. |
 |
Locais de permanência de boa qualidade |
 |
Em P.L. local de entretenimento e permanência. |
A mobilidade urbana sustentável, é o que define a figura ao lado,
mais transportes de propulsão humana e coletivo e menos transporte
motorizado individual.
O conceito é bastante simples ainda que possa parecer de difícil
implementação. A realidade é que por meios dos incentivos certos, os primeiros
passos podem ser dados.
Trazer pessoas para
circular nas ruas é fundamental e para isso é preciso que o espaço de
circulação humana seja seguro e agradável. Infra estrutura adequada implica em
mais pessoas que optam por ir à pé, de bicicleta, patins, skate, etc. Serão essas pessoas que ao mesmo tempo
irão requalificar o espaço e atacar o que hoje costuma ser um dos impedimentos
para a circulação em meios de transporte ativos, o excesso de tráfego
motorizado em nossa pequena e agradável cidade de Pedro Leopoldo.
Para incentivar pessoas a
percorrerem distâncias curtas em meios de transporte ativos e não poluentes é necessário melhorar a infra estrutura
de circulação. Ainda assim, sei que nem todos poderão resolver todas as suas necessidades fazendo uso só do transporte não poluente, mas que o façam somente quando não for possível outro meio de locomoção. Esta pessoa estará ajudando em muito a todos, ao meio ambiente e também a si mesmo.
O caminho é longo, mas
através de opções individuais inteligentes pelo meio de transporte mais
adequado para cada percurso e pressão junto ao poder público para melhorias na
infra estrutura de circulação humana e do transporte público estaremos no
caminho certo para uma cidade melhor, mais humanizada,menos poluída e mais aconchegante.
Pedro Leopoldo tem uma
grande vantagem sobre as grandes cidades. Nós moradores temos tudo que precisamos
para nossas necessidades diárias à uma
distancia perfeitamente caminhavel ou pedalavel. Principalmente para aquelas
pessoas que moram na área central ou nos bairros mais próximos ao centro.
Infelizmente também não possuímos um transporte coletivo decente ainda, o que às
vezes incentiva a população a usar o transporte individual motorizado. Como já
mostrei em postagem anterior a maior distancia percorrendo em linha reta de
norte a sul na área central e plana de Pedro Leopoldo é de 2 km e a maior de leste a oeste é
de 900 m.
São distancias perfeitamente
caminhaveis ou pedalaveis. Não se
justifica então o uso excessivo do automóvel para deslocamentos de moradores na
área central e bairros mais próximos a esta. Repensemos... e que tal utilizarmos
mais transporte ativo não poluente ou coletivo para estes deslocamentos?
Pense e reflita sobre essa pergunta. Com uma estrutura melhor de
passeio, de ciclofaixa e de transporte coletivo, você que usa seu automóvel 70%
ou mais das vezes em suas viagens pela cidade, diminuiria o uso do mesmo?
Grato pela leitura e
colaboração. Você está ajudando a construir a NOVA PEDRO LEOPOLDO – a cidade
que lhe desejamos- a partir do momento em que se decidir a colaborar com medidas que provavelmente não serão de seu agrado pessoal mas serão benéficas ao meio ambiente, à humanização da cidade, ao bem estar da coletividade, a todos em fim.
Obrigado Senhor por mais
este material.
Amém.