sexta-feira, 5 de julho de 2013

16- A cidade, as pessoas, os automóveis e as bicicletas

A cidade de Pedro Leopoldo, bem como as outras cidades brasileiras já foram mais humanas. As pessoas se cumprimentavam mais na rua, mesmo, as que não se conheciam. Havia gentileza. Olho no olho, espaços para as pessoas, praças, parques, árvores, aves, flores, sorrisos e muito mais bicicletas circulando nas ruas.
Então veio o carro, com tudo de bom e de ruim que ele representa. Árvores foram derrubadas, rios foram sepultados, as praças, os caminhos cobertos por asfalto, o chão escuro e estéril que sinaliza o território reservado para as máquinas e proibido para as pessoas. Assim também a quantidade de bicicleta foi diminuindo nas ruas devido ao aumento vertiginoso dos automóveis a transitar pelas vias amedrontando os ciclistas que preferiram aderir ao carro para ter mais segurança no seu deslocamento. Com isto a nossa pacata cidade vai se transformando em uma cidade com trânsito caótico e nervoso deixando de ser humana e se materializando cada vez mais.
As crianças não podem brincar mais nas ruas, não podem pular corda,  não sabem mais o que é ir de bicicleta à casa de amigos, para escola ou para comprar um sorvete.  Os novos donos da cidade, vestidos  de metal, vidro e fumando combustível, não as permitem, assim também a violência que está tomando conta de nossa cidade, infelizmente.
Não existe em nossa cidade uma rua sequer que seja preferencial para crianças brincarem, uma rua onde pedestres, e ciclistas possam transitar com segurança e que o trânsito de autos seja só para os moradores. 



Esses mesmos novos donos da cidade também têm sua prole, mas não percebem a liberdade que foi tomada de seus filhos para que eles próprios tenham seu luxo e conforto. Isolam as crianças em espaços delimitados, sendo levadas de um espaço a outro dentro dos automóveis. Fora deles a criança não pode cruzar essas novas terras. 
As cidades foram feitas para as pessoas. Os carros vieram depois e deformaram os espaços urbanos. Olhe da janela agora e veja quanto espaço há para circulação das pessoas e quanto dele está reservado para os automóveis. Se a cidade é feita para a circulação motorizada, a tendência das pessoas será inevitavelmente essa. O resultado é o que conhecemos como hora do rush.

Em vez de perceber no que a nossa cidade está se transformando e contribuir para um lugar melhor para nós e nossos filhos, optando por substituir o carro por opções alternativas sempre que possível, a maioria das pessoas pensa apenas em comprar um carro mais confortável e se isolar dos problemas.
Ligar o ar condicionado, fechar os vidros e aumentar o som. Ignorar o que está do lado de fora, fazer de conta que não está lá. Em outras palavras, fugir: que bela solução.

Sua cidade depende de você.
Se você se cansou de sua cidade, faça o possível para torná-la melhor. Um momento em que seu carro te deixar na mão, por exemplo, pode ser uma oportunidade de ver a cidade de outro ângulo, em vez da viciada  experiência de se trancar em um ambiente climatizado e se isolar do mundo até chegar a outro local de confinamento.
Aliás, foi exatamente o que aconteceu comigo:  em um dia em que me aposentei, resolvi usar a bicicleta para ir a todos os lugares possíveis com a mesma e vi que não era tão complicado como parecia. Foi aí que tudo começou a mudar. A cidade mudou para mim e eu mudei para a cidade e para os que estão em minha volta.



Não podemos viver confinados em bolha de metal. As ruas são suas também. Saia a pé, ou de bicicleta, sinta o sol olhe para o céu. Há quanto tempo você não repara no formato das nuvens, no som dos pássaros e nas plantas que insistem em nascer em qualquer buraquinho da calçada, resistindo a petrificação da cidade.
A bicicleta não é a solução para todos os problemas da mobilidade urbana, mas a cidade não pode renunciar a grande contribuição que ela está comprovadamente a dar: a de facilitar a vida, em todos os sentidos, em curtas e médias distâncias e também por que não dizer em aumentar a segurança dos que nela transitam, pois as pessoas de bicicleta têm melhores condições de observar o que está acontecendo nas ruas e assim proteger aquelas crianças que por acaso estiverem em perigo.

Mais um agradecimento de coração aos que prestigiam esse blog e aos que leram essa matéria.
A ti Pai, agradeço agora e sempre pela luz que me envias para que eu possa continuar na minha luta.

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